2006-10-12 As mulheres de Zapatero
O primeiro-ministro espanhol, José Luiz Zapatero apresentou a composição do seu novo Governo. Pela primeira vez em Espanha, há mais mulheres ministros do que homens e pela primeira vez na história do país, há uma mulher para o Ministério da Defesa.
"É o primeiro governo em que uma mulher está no ministério da Defesa, e é o primeiro governo em que há mais ministras do que ministros", afirmou Zapatero no Palácio da Moncola, sede da presidência, após prestar juramento ao rei Juan Carlos. "Sinto-me muito orgulhoso por ter mais mulheres do que homens entre os ministros", acrescentou o primeiro-ministro, que disse ainda que a sua equipa tem "força política" e uma "notável" capacidade de gestão.
Entre as novidades estão a criação do Ministério da Igualdade, que terá como titular a ministra mais jovem da história da Espanha, e a indicação da primeira mulher à frente do Ministério da Defesa, Carme Chacón.
Carme Chácon – a surpresa
A grande surpresa, sem dúvida, foi esta ascensão de Carme Chacón, ministra de Habitação na legislatura passada, à pasta da Defesa, passando a ser a primeira mulher a ocupar o cargo em Espanha. A nova ministra vive actualmente um fabuloso período da sua vida, já que também se encontra grávida de sete meses.
Bibiana Aido – a mais jovem
Outra mulher do seu governo que causou surpresa, ao se tornar a ministra mais jovem da história da Espanha, é Bibiana Aido, de apenas 31 anos.
Aido foi a escolhida para estar à frente do novo Ministério de Igualdade, no qual se ocupará de impulsionar a presença feminina na esfera pública e no âmbito trabalhista, além de combater “sem descanso”, disse Zapatero, a violência contra a mulher.
María Teresa Fernández de la Vega - a mulher forte do Governo
Continua à frente da primeira vice-Presidência espanhola e do Ministério da Presidência; 59 anos, foi a primeira mulher a assumir funções de presidente de governo na história da democracia espanhola. Licenciada em Direito, é uma activista feminista defensora dos direitos das mulheres. Solteira e sem filhos.
Magdalena Álvarez comanda a pasta de Fomento;
Casada e com uma filha, é a ministra menos popular na equipa, por ter tomado conta do processo das linhas ferroviárias de Alta Velocidade.
Mercedes Cabrera
Sobrinha do ex-presidente do Governo Leopoldo Calvo-Sotelo, a ministra de Educação, Política Social e Desporto é especializada em História Política e Económica de Espanha. 56 anos, casada e com dois filhos.
Elena Espinosa – a ministra discreta
Tem a pasta do Meio Ambiente, Meio Rural e Marinho. Por detrás da imagem discreta e tímida, é uma triunfadora da legislatura passada. É casada, sem filhos.
Elena Salgado, a ministra da lei anti-tabaco
Nascida em 1949, Elena Salgado repetirá o cargo de ministra de Administração Pública na nova equipa do governo de Zapatero. Possui duas licenciaturas, Engenharia Industrial e Ciências Económicas e ficou notabilizada em Espanha, pela Lei Anti-tabaco, que gerou grande polémica em 2006, entre os fumadores e proprietários de estabelecimentos.
As duas ministras restantes são, juntamente com Aido, as estreantes femininas no governo: Beatriz Corredor (à dta) Licenciada em Direito, 39 anos, casada, mãe de duas filhas), à frente de Habitação e Cristina Garmendia (à esq.) 45 anos, casada e com 4 filhos) na nova pasta de Ciência e Inovação.
Recorde-se que o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de Zapatero, venceu as eleições gerais de 9 de Março, mas não conseguiu o mínimo de 176 cadeiras para governar sozinho.
Ventos da modernidade... e polémicos
Quando se tornou secretário-geral do partido socialista espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, hoje primeiro-ministro da Espanha, recebeu da imprensa o apelido de Bambi, em alusão ao lado meigo da personagem da Walt Disney.
Sensível e idealista, Zapatero passa ao lado do estereótipo do homem ibérico – conservador, machista e teimoso – com o qual os espanhóis se identificaram por muitas décadas.
Mas este suave apelido não faz jus à sua obstinação com a qual ele tenta impor uma revolução de costumes e valores na sociedade espanhola.
O governo socialista legalizou o casamento gay. A Bélgica e a Holanda também reconhecem a união civil de pessoas do mesmo sexo, mas a Espanha foi mais longe: ao chamá-la de "matrimónio", eliminou qualquer distinção entre o casamento tradicional – isto é, entre um homem e uma mulher – e o homossexual. Para completar, permitiu-se que casais gays adoptassem crianças.
Uma última mudança que gerou alguma discussão foi quando o Congresso aprovou a mudança no Código Civil, para obrigar o marido a assumir tarefas domésticas... as mulheres, claro, não se queixaram...!
ANA PEDRO
FOTOS: DR
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